Já em Curitiba, hospedado e tudo mais, fomos até o Centro de Esporte e Lazer Dirceu Graeser, dois dias antes da maratona para retirar o meu kit, e então eu senti meu coração bater mais forte, depois disso, respirei fundo e fui retirar o meu kit.
Aproveitamos o resto do dia para conhecermos a cidade, fomos almoçar no Bairro de Santa Felicidade, pois ninguém é de ferro e conciliar corrida com lazer é magnífico.
Na sexta-feira à noite conheci o George Volpão, da loja Território (www.territorioonline.com.br), onde fomos à inauguração da nova loja no Shopping Palladium e tomamos algumas taças de Espumante e conversamos muito sobre corridas e esporte de aventura.
No sábado tive a oportunidade de conhecer a Yara Achôa (Contra-Relógio), agradeço pela pastilha de sal, a Lilian de Presidente Prudente e o Supercesinha de Jundiaí (agradecimento especial pelos toques, dicas e o terrorismo passado) todos #twittersrun. O almoço foi com o pessoal da equipe Adriano Bastos (Adriano Bastos, Adriano Gusmão, Kazuo e minha esposa Andrea). O resto do dia tirei para descansar.
Domingo, 22 de Novembro, tinha chegado o tão sonhado dia da Maratona, não dormi nada durante a noite de tanta ansiedade, ora pensando na estratégia, ora olhando para o relógio, ora mentalizando o percurso. Será que apartir da segunda maratona isso acontecerá de novo?
Tomei meu café da manhã super reforçado, tive um tempinho para uma conversa rápida com o Cesinha, a Yara nos forneceu a pastilha de sal, peguei meus “apetrechos” e me dirigi para o ponto da largada. Chegando lá meu sonho estava se materializando com aquela multidão de pessoas gritando palavras de incentivo, fazendo festa, outras no aquecimento, logo senti uma emoção diferente que tomou meu corpo inteiro, pois estava eu ali mais próximo da maratona do que poderia imaginar, as pernas tremeram e começaram a sair lágrimas dos olhos de emoção antes mesmo da largada, onde um filme de todo meu treinamento passou pela minha cabeça, pois aquilo era uma Maratona e não uma prova de 10K, sem menosprezar, é claro.
Às 8h00, com temperatura na casa dos 28º e Umidade relativa do Ar alta, soou o alarme, pronto, a corrida tinha começado naquele instante e lá fui eu em busca do meu maior e mais difícil desafio. Iniciei a prova num ritmo bem tranqüilo (5’/K) e mentalizando a estratégia que eu tinha definido para terminar bem a maratona, tendo como objetivo o tempo de 3h30/3h40, mas minha preocupação maior era me poupar para resistir aos 42 km, pois era minha primeira maratona.
Correr uma Maratona é um verdadeiro passeio turístico, passamos por 35 bairros de Curitiba. No 8K alcancei o Paulão (companheiro de equipe AB) e fomos juntos até o 28K, sempre no mesmo ritmo que comecei, passando no 25K em 2h03’, ou seja, estávamos com uma gordura de 2’. Apartir daí senti que o Paulão estava sobrando e disse para ele seguir. No 33K comecei a sentir câimbras e no 34K tive que parar para alongamento e jogar agua gelada na perna, andei até o 36K, comecei novamente a correr com um ritmo estranho, a essa altura o objetivo era terminar.
Quando estava no 38K o tempo começou a fechar e a formar um temporal que pegou todos ali de surpresa e foi assim até o término. Pelo menos refrescou um pouco a temperatura.
Chegando ao quilômetro 40K comecei a entrar em um dos momentos mais difíceis da corrida, pois minhas pernas não respondiam mais, mas como bom brasileiro e teimoso que sou não me intimidei e continuei com minhas passadas firmes em busca de um sonho que estava muito próximo de ser realizado por completo.
No quilômetro 42, entrei na reta final do percurso, e apartir daí foi só coração, pois já nem sentia mais minhas pernas. Peguei minhas energias restantes e distribuí mentalmente por todo o corpo, foi incrível minha resistência durante o percurso, me impressionei com o meu despenho e não sabia que eu era capaz de tal proeza.
Quando avistei o pórtico, embaixo de um temporal, uma tremedeira tomou conta do meu corpo, pernas pesadas, lágrimas começaram a sair de meus olhos, e procurava por minha esposa para ela registrar esse momento, pois eu estava a menos de 200 metros de completar a tão sonhada maratona.
Cruzei a linha de chegada em 4h05min20seg, muito além do que tinha planejado, vibrando e feliz como uma criança quando ganha um brinquedo, pois a partir daquele momento me tornei um MARATONISTA.
Estava feliz e um pouco “atordoado”, mas com um sentimento de realização completa. Meu coração bateu forte, mas tão forte que chorando conclui: Terminei os 42Kms porque corri com o coração. Ergui as mãos aos céus e agradeci a Deus por tamanha conquista e também a todos aqueles que me ajudaram e torceram por mim, principalmente minha esposa que parecia uma criança quando me viu chegando e ao mesmo aliviada por nada ter me acontecido.
Estava eu ali embaixo do pórtico de chegada feliz por ter terminado e realizado por ter superado o meu maior concorrente: eu mesmo!
Todas as dificuldades que passei se tornaram insignificantes perto da alegria que senti ao completar a prova e gritar: “AGORA SIM, SOU MARATONISTA COM MUITO ORGULHO”.
Obrigado a todos e até a próxima maratona!
Marco